Palavra do Diretor

Alexandre Luís de Oliveira | Diretor Geral

Querida Comunidade Educativa do Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, bênçãos e paz!

Um novo ano se inicia, após dias carregados por “densas nuvens” que perseguiram o ano que há pouco terminou.

No alvorecer deste novo ano, somos alcançados pela graça divina de um novo tempo, e para dias novos, novos olhares e nova postura ante os desafios reais que ainda nos acompanham. Não é possível deixar de considerar que, por muito meses, com maior ou menor intensidade, o mundo todo viveu, se não paralisado, ao menos, bloqueado. Fomos forçadamente submetidos à insegurança, medos, angústias. Houve uma revolução em nossas agendas. Compromissos foram adiados, distanciamentos que nos privaram o contato físico, enfim, a pandemia nos fez pensar: que valor tem a vida? E que valor dou à vida do outro?

Diante dessa dura e dolorosa realidade e com as suas pesadas consequências, continuamos a exprimir a certeza de sermos movidos pela esperança, porque Deus, no seu Espírito, continua a fazer “novas todas as coisas”. Precisamos contagiarmo-nos, uns aos outros, com “os necessários anticorpos da justiça, da caridade e da solidariedade”, para a reconstrução de uma humanidade nova, após os dias de pandemia. A fé não faz sepultar a esperança!

O próprio São João Bosco precisou enfrentar pessoalmente, ao longo da sua vida, a dureza de muitas situações, de muitas tragédias e dores. Ele é um mestre ao mostrar-nos que o caminho da fé e da esperança não só ilumina, mas dá a força necessária para mudar as condições desfavoráveis ou adversas, ou ao menos limitá-las até onde é possível.

Dom Bosco distinguiu-se por uma extraordinária tenacidade e uma visão realista especial e profunda. Sabia ver além dos problemas. A situação da cólera, na Itália de seu tempo, foi uma circunstância, em nível local, semelhante à que estamos a viver agora em todos os países. E, como educador e pastor, acompanhou essas situações com os seus jovens. Enquanto havia quem se preocupasse apenas consigo mesmo e com as próprias necessidades, Dom Bosco e os seus jovens “arregaçaram as mangas” para ajudar a superar a tragédia. Podemos afirmar que essa profunda visão de fé e de esperança manifestou-se ao longo de toda a sua vida: quando deixou a sua mãe e a sua casa para viver como “garçom” no “Café Pianta”…, enfim, no assumir de cada dia, a sua vida nos confirma que Dom Bosco viveu movido pela virtude da esperança.

Este tempo e esta situação são propícios, sem dúvida, para tomar consciência do sofrimento de muitas pessoas; prestar atenção nas inúmeras epidemias constantes e silenciosas, como a fome sofrida por muitos; a cumplicidade nas guerras, os estilos de vida que enriquecem alguns e empobrecem milhões de pessoas; perguntar-nos, quem dentre nós possui muito, e se não podemos viver com um estilo de vida mais sóbrio e austero; considerar seriamente que no nosso mundo a criação sofre, adoece enquanto se continua a negar a sua evidência; perceber o quanto é importante “unir a inteira família humana na busca de um desenvolvimento integral e sustentável”.

Nas maiores crises, desaparecem muitas coisas: a “segurança” que pensávamos ter, os sentidos da vida que, na verdade, não eram tais. No entanto, os grandes valores do Evangelho e a sua verdade permanecem, enquanto desparecem as filosofias e os pensamentos oportunistas ou momentâneos. Os valores do Evangelho não evanescem, não se tornam “líquidos”, não desaparecem. Por isso, como filhos e filhas da Esperança, não podemos renunciar Àquele em que cremos, não podemos perder a nossa fé em dias melhores.

Assim, convido-os a nos unirmos nesta linda aventura de um novo ano e que juntos superemos os desafios e percorramos estes dias novos a partir da novidade de Deus que nos afirma: em Mim, a esperança não decepciona!

Com afeto salesiano,

Alexandre Luís de Oliveira – SDB

Diretor Geral